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Janeiro 04 2010

A 28 de Dezembro de 2009 o céu ficou mais rico, tem mais uma estrela a brilhar.

 

A dor é imensa, a saudade é amarga, mas recordarei sempre a minha Mãe como a pessoa doce, sempre disponível, sempre com um sorriso, que todos os domingos colhia uma rosa do seu quintal e me dava com a doçura com que só uma mãe sabe dar.
 
Deu-me o dom da vida, ensinou-me a ter sentimentos, fomos cúmplices em tantas situações, nunca me condenou nem apontou o dedo mesmo quando fiz disparates na minha adolescência e juventude, ensinou-me a ter compaixão, foi com ela que dei  os primeiros passos com linhas, lãs e agulhas, sempre me disse que aquilo que dermos ao próximo a vida nos retribuirá em dobro, não podia ver ninguém com fome ou com frio, trabalhou imenso para causas solidárias no anonimato sem nunca querer nada em troca.
 
Deus levou-a pois concerteza necessitava de alguém com um coração grande e mãos de fada lá em cima; no início de Dezembro a minha Mãe deu-me 140 pares de botas de lã para entregar à Comunidade Vida e Paz para que fossem distribuídas pelos sem-abrigo, certamente que lá em cima não havia ninguém disponível para fazer botinhas de lã para os anjos e ela foi ar uma ajudinha…
 
A minha Mãe tinha um coração enorme em todos os sentidos, pois anatomicamente falando era demasiado grande para o espaço que ocupava e as complicações cardíacas eram bastantes, e foi este coração que parou ao fim de 71 anos de tantas lutas, de tantas alegrias, de tantos risos e choros, de tanta vez abrir os braços para afagar quem precisava, de tanta vez consolar quem precisava de uma palavra carinhosa.
 
Deus levou-a sem sofrimento, sem agonia, enquanto dormia, em paz, e eu aqui fiquei a iniciar este novo ano sem a minha Mãe, aprendendo a não a ver mais, a não lhe telefonar todas as manhãs como habitualmente, mas sentindo a sua luz e sabendo que ela ficou a olhar por mim e quer que eu siga em frente até ao dia em que nos voltaremos a encontrar.
 
O céu está realmente mais rico, mas eu tenho um vazio enorme na minha vida.

 

publicado por Fátima às 08:44
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Olá Fátima!

Muito bonita esta homenagem!
Olhando para a foto da tua Mãe, tal como diz a Teresa, apetece ir pedir mimo!
Nesta fotografia é notoria a ternura no olhar. Sabes, há olhares que constumo dizer que parece que abraçam. É o que honestamente sinto ao olhar para os seus.

Um abraço reconfortante para ti!
Caminhando... a 6 de Janeiro de 2010 às 22:50

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